A opinião pública, no século XVIII, foi utilizada como “máquina de guerra ideológica” e resultou no sucesso da Revolução Francesa. Logo depois, no século XIX, foi usada pelas elites dominantes da esfera parlamentar. Passando-se os anos, o cenário do mundo se distanciou das revoluções e chegou aos dias de hoje, quando a opinião pública, que durante anos foi debatida e analisada, conseguiu manter seu caráter de opinião geral de uma sociedade, e continuou demonstrando a expressão da vontade coletiva, mas, talvez tenha perdido, em algum lugar da história, sua autenticidade.
Com o desenvolvimento social e cultural, a mídia começou a exercer certa influência sobre a ideologia da população. No início, o povo buscava mecanismos de informação para conseguir dar significado a tudo, alcançando uma estabilidade para ser capaz de se organizar politicamente, logo, era preciso interação social contínua, já que o mundo dos homens está em constante alteração e agregação de conceitos, que devem ser assimilados para garantir o enriquecimento cultural, criando uma esfera de ideais comuns. Consequentemente, a importância de reter toda informação possível torna-se necessária, quase vital e, como tal, suscetível a se transformar em um produto a ser explorado pelo interesse privado, que acabou por se sobrepor ao público.
Atualmente, essa esfera está se moldando aos padrões de pessoas que vivem coletivamente entre muita informação, transitam em um espaço comum e, mesmo assim, têm a capacidade de se manter no anonimato. Na vida da cidade grande, nem sempre são reconhecidos, mas são os seres humanos que juntos integram um mesmo grupo, o que forma uma opinião pública. Opinião que se atribui ao ideal geral de uma sociedade e deve ser abordada pela mídia dessa maneira, discutindo assuntos sociais, políticos e econômicos, sempre com uma visão de grupo, se preocupando com o que a maioria da população pensa e deseja destacar.
Os meios de comunicação deveriam ser voltados para um conceito público, dentro dessa esfera de opiniões, visando o valor notícia e abordando com veracidade os fatos, para evitar que acabem por noticiar calúnias ou que exista omissão de fatos, fugindo do seu objetivo real político, que seria o de enriquecer com informações aprofundadas e não com banalidades e futilidades . Com essas maneiras de adquirir informação, cria-se um grande impasse contraditório: meios privados deveriam noticiar a opinião pública, mas por serem privados e condizentes com um sistema capitalista, põem seu interesse incorporado à opinião pública, que devia ser publicada sem modificações, manipulando aquele leitor desavisado, que mal sabe que é ele quem tem o poder de alterar a real opinião pública.
Este paradigma nos permite refletir que a notícia, ao construir e representar a realidade, também atua na modelagem da vida cotidiana, produto de interações sociais, sendo pouco manipulada e muito manipulativa, fazendo a população crer que o que é importante aparecerá no jornal, e, o restante, não merece atenção alguma. De acordo com a socióloga Ana Lúcia Novelli: “A democracia atual, embalada por disputas simbólicas, estimula a existência de uma esfera pública conduzida pelos grandes veículos de comunicação para explicar sua visão de mundo.” Surge uma imposição de interesses iminente, com influência direta e indireta sobre a formação de opinião pública, chegando a gerar tendências, pré-conceitos, estruturas de imagens da realidade.
A persuasão tem na veiculação em redes nacionais sua melhor arma de ação, pois pode ser definida como técnica que administra e influencia as atitudes humanas que, como seres sociais, visam constante aprovação. E o questionamento passa a ser: Até que ponto somos sujeitos autônomos de nossas próprias decisões? Como separar pensamentos individuais daqueles maquinados transferidos a medidas homeopáticas pela mídia? Será que ainda existem pensamentos individuais?
Não baseada apenas em fatos brutos, mas, principalmente, agindo sobre os sentimentos, a grande mídia reconhece e sabe ministrar como a informação é passada ao público; daí então o porquê do surgimento de tantas matérias com caráter sensacionalista. O desinteresse e a não-informação da sociedade contribuem para a ação dos grupos midiáticos, que, simplesmente, despejam conhecimento a seu próprio e grosso modo. Assim, ao invés de somente fiscalizar e ser mediador neutro da relação meio/público, os veículos se mostram mais presentes do que o necessário à equação.
Para Mansbridge, toda conversa cotidiana pode ser politizada. O cidadão recebe informação de outras pessoas, com diversas experiências particulares, e também dos meios de comunicação de massa. Desse modo, tal troca de informação, pode ter caráter político, como também pode ser influenciada pela mídia, talvez até inconscientemente, apenas pelo fato da mídia já ter inserido seu conteúdo no homem.
Para compreender melhor, comparemos um fumante passivo, que nunca tragou um cigarro sequer, mas acaba desenvolvendo câncer. Ele simplesmente era circundado por fumantes, nunca fez nada diretamente que “justificasse” o surgimento da doença, mas acabou doente. Assim agem os meios de comunicação de massa, sempre bombardeando, sutilmente, o público com seu sistema de ideias, até que o público não distinga de onde a ideia surgiu. Tais ideologias acabam tão agregadas aos pensamentos individuais, que a “contaminação” é quase imperceptível.
Relacionando tal exemplo a um fato empírico, analisemos as eleições de 1989 no Brasil:
Após um período conturbado de ditadura militar, movimentos sociais ganharam força no país. A maior mobilização ocorreu durante as “Diretas já”, que reivindicava eleições diretas para o cargo de presidente da república. No meio da euforia, a grande mídia, de início, foi pressionada por autoridades para não apoiar a manifestação, tanto foi que o primeiro comício das “Diretas Já”, que ocorreu no Vale do Anhangabaú, foi noticiado pela Rede Globo como uma comemoração do aniversário da cidade de São Paulo.
Apesar da rejeição da Emenda Constitucional Dante de Oliveira, que garantia a volta das eleições diretas para presidente, o movimento teve grande importância na redemocratização do Brasil, colocando suas autoridades na elite do país. O resultado das “Diretas Já” começaou a acontecer em 1985, com a volta do poder civil. Então, em 1988 uma nova Constituíção Federal foi aprovada, garantindo a volta das eleições diretas.
Garantindo o pluripartidarismo, os partidos começaram a lançar seus candidatos. A esquerda surgiu com nomes como os de Luís Inácio Lula da Silva e Leonel Brizolla. Já a direita lançou o jovem Fernando Collor de Melo, atraindo o apoio da imprensa Brasileira e de alguns setores da sociedade com as promessas de modernizar a economia e tirar os “marajás” dos cargos públicos.
Temendo o crescente interesse da população por candidatos de esquerda, a mídia começou utilizar seu poder para influênciar e, assim, tentar manipular o voto popular. O episódio mais marcante dessa intervenção foi o debate entre Fernando Collor e Lula, que foi exibido tarde da noite pela Globo e teve pequena audiência. O debate, na integra, apresentou um grande equilíbrio entre os candidatos, porém, uma versão editada e transmitida nos jornais - Jornal Hoje e Jornal Nacional - evidenciou vantagem para o candidato Collor, prejudicando a campanha do Partido dos Trabalhadores. Ao final da eleição, Collor foi eleito presidente.
Mas, justiça seja feita, a mesma força manipuladora da mídia que colocou Fernando Collor no poder o derrubou em 1992. A imprensa passou a fazer uma minusiosa cobertura da crise no governo nacional. Na época, A Rede Globo lançou a minissérie “Anos Rebeldes” - referente a um grupo de estudantes que se revoltou contra a ditadura – influênciando o imaginário da população. O resultado da crise foi a abertura de um processo de impeachment contra Collor. A votação do afastamento do presidente na Camâra dos Deputados foi transmitido ao vivo pelas maiores emissoras do país, dando um tom de espetacularização para a sessão. Ao final, a maioria foi favorável ao impeachment. Ficou, então, evidente que, mais do que informar, o papel midiático tem que ser auxiliar e educar, evitando a padronização e enganação popular.
Em suma, para que se recupere uma esfera pública digna, eficiente e com a mesma essência que ela tinha em sua origem como uma ação comunicativa, é preciso interesse para resgatar a democracia, e com ela voltamos a ter opinião, poder falar sem medo de ser ouvido, um local onde todos estejam capacitados de expor suas ideias sem ressentimentos, assim rompendo a ditadura que restringe a opinião pública. Mergulhando em uma teoria utópica, todos deveriam ser livres até de suas culturas para que sejam demonstradas as informações reais, sem nenhuma influência, por menor que seja. A mídia deixando de moldar a sociedade, para a sociedade passar a moldar a mídia, com um jornalista capaz de não correr o risco de ser um transformador da verdade, sendo apenas mediador da história, dando continuidade aos fatos que jamais terão fim.
Política Faficla
Um blog sobre a política contemporânea e suas raízes históricas
O Império
A maioria dos Impérios, num primeiro momento, procuram a inclusão universal, isto é, independente da raça, credo, cor ou gênero a que pertencem, todos são bem-vindos. Em seu momento de inclusão ele é cego para as diferenças, funcionando como uma máquina de integração, uma espécie de comunidade sem restrições para seus novos membros, convidando todo mundo para entrar em seu domínio, evidenciando sua face liberal.
O importante nesse momento de construção desta organização imperial é tratar todos como iguais. Assim, criando uma zona neutra, zona que serve como espaço perfeito para estabelecer uma legitimação universal, criando o início do espírito imperial. Logo, pode-se afirmar que o Império é composto por uma multidão de pessoas diferentes umas das outras e que frequentemente são, de alguma forma, exploradas ou injustiçadas por estratégias imperiais. Mas é claro que as diferenças mantidas nesse modelo político são, apenas, as culturais. A teoria é de que esses diferenciais serão incapazes de gerar conflitos incontroláveis e funcionarão como uma identificação regional.
O Império é um poder sem fronteiras sem limites, portanto que aliena, explora e massacra a multidão se esta não lhe oferecer resistência. Aqueles que não se destacam em meio à massa, buscando alternativas para confrontar o domínio imperial, provavelmente, serão engolidos pela máquina capitalista que sustenta as suas bases.
Esse modelo de sucesso que é criado pela sociedade – a lei da selva dentro do capitalismo: “O mais forte sobrevive” - tem forte repercussão e vira meta, obsessão da população, que passa a viver sobre a pressão de êxito profissional. Um forte exemplo é a mídia, exaltando com frequência os profissionais que obtiveram sucesso no mundo do capitalista: o bom empresário, o criador de uma marca revolucionária, a top model, etc. Os meios de comunicação fazem desse status uma necessidade, iludindo a todos que passam a almejar tamanho sucesso e se mantém refém eterna do capitalismo.
A ideia de Império continua viva no meio dessa nova ordem política da globalização, transformou-se com o tempo e pode ser vista no modelo do Imperialismo. Império emergente não é tão diferente da dominação imperialista européia e da expansão capitalista ocorridas no início dos séculos XIX e XX. Países europeus praticaram esse tipo de dominação sobre territórios americanos, africanos e asiáticos através do colonialismo. Na atualidade, é possível notar que os Eua, em sua posição de potência mundial, impôs seus costumes sobre as nações subdesenvolvidas e em desenvolvimento. A hegemonia que os Estados Unidos impõem influencia o dia-a-dia da população mundial, na política, economia, no militarismo e culturalmente.
Para que a multidão consiga fugir dessa padronização e se transformar em sujeitos políticos é necessário buscar alternativas que desafiem o Império e resistam a ele e a seu mercado mundial. Um movimento contrário a essa massificação do Império. As alternativas para solução devem ter um nível igualmente “global” ou, pelo menos, das mesmas proporções que o Império ao qual deseja-se resistir. Como disse Santo Agostinho acerca de um projeto para contestar o Império romano decadente, nenhuma comunidade limitada poderia ter êxito e oferecer uma alternativa para o domínio imperial; só uma comunidade universal, reunindo toda a população e todas as línguas numa jornada comum, poderia conseguir isso.
Nesse sentido, uma resposta que pode ajudar a população é a organização de greves e rebeliões, formas de contestar e afetar diretamente os interesses dos Impérios. A união da multidão em torno de uma causa comum, que tem como principal finalidade reivindicar alguns direitos pode fazer desta um sujeito político ativo dentro dos domínios imperiais.
A greve é um instrumento de pressão por parte do povo para conseguir que suas reivindicações sejam atendidas, para isso há paralisação - de atividades de determinada área - coletiva e voluntária, luta pela garantia dos direitos da dita categoria. A eficácia de greves não é sempre garantida, mas quando ela ocorre existe negociação de interesses e ambas as vozes da luta são ouvidas. Mesmo que o lado mais poderoso se imponha e não altere o seu modo de governo questionado, os grevistas podem manter sua posição de oposição, pois sem dominados o dominador perde seu poder.
Já uma rebelião parece ser a ideia mais coerente para ação contra o Império. Esse processo só existe se há necessariamente um poder contra o qual se rebelar. Geralmente as rebeliões originam de um grupo de menor poder político, que vão contra a ordem vigente, assim, não são consideradas legitimas até que consigam derrotar o poder maior e se legitimarem. Para que essa teoria se torne uma ação é preciso que o povo dominado decida não cumprir mais as ordens da autoridade mandante, causando assim uma forma de revolta, rebelião.
Além disso, o êxodo e a deserção são formas poderosas de luta dentro da pós-modernidade imperial e contra ela. Ao invés de fazer uma oposição direta ao Império, como seriam as lutas armadas, essa mobilidade seria uma forma obliqua e diagonal de resistência. A subtração de membros pode acabar de vez com qualquer Império, por mais poderoso que seja. Existem novos meios de ataque, como a Internet, que consegue por meio de vídeos, textos e discussões dos internautas desmentir a manipulação da mídia comprada. Essa nova tecnologia pode fazer papel de ator político, causa polêmica e acesso á dados, crescendo de maneira tão intensa que consegue ser a fonte de pauta para os jornais, ganhando notoriedade suficiente para ser veículo de mobilização, dado voz para a população.
Quem está inserido no processo de massificação imperial precisa percebe-lo, lutar contra os efeitos de alienação. Bastaria o engajamento da massa para a queda do império, que, apesar de ser o poderoso ditador de regras, não é absolutamente nada sem sua comunidade. Através do simples abandono de seus seguidores, o tiro ao regime imperial seria certeiro. Em suma, os muros do Império podem sim ser contornados, com a conscientização das massas sobre o tamanho do poder que têm em suas mãos, será de fato possível a aniquilação de quaisquer regimes políticos.
Onde a exceção virou regra
Giorgio Agamben, filósofo e pensador político italiano contemporâneo, baseou-se nas ideias de Foucault para construir e desenvolver conceitos como o de “vida nua” e “biopolítica”. Entre seus principais trabalhos está o livro “O poder soberano e a vida nua: Homo sacer. O nome de sua obra faz referencia à uma figura sagrada da lei romana. O Homo sacer é uma pessoa excluída de todos os papeis de cidadania, possuindo apenas o direito à vida.
Para compreender melhor o trabalho ideológico de Agamben é necessária a análise do pensamento foucaultiano. Ele desenvolveu seus estudos na segunda metade do século XX e concentrou-se na análise de aspectos da vida social. Foucault tentou compreender as articulações que interligam saber e poder e para tanto, buscava analisar tais relações fora da concepção Estatal. O filósofo também criticava a violência ou a ideologia como únicas maneiras de manter um Estado. Observando o convívio entre prisioneiros, constatou que o poder não se mascara e é facilmente identificado: “todas as violências e arbitrariedades são possíveis na prisão, mesmo que a lei diga o contrário, porque a sociedade não só tolera, mas exige que o delinquente sofra”.
Segundo Foucault, a biopolítica surgiu na modernidade com a constituição do Estado de População. Atualmente, a via biológica (vida, saúde, sexualidade, trabalho, etc.) está inclusa nos cálculos e mecanismos de poder do Estado. Antes, a preocupação do Estado era com o espaço territorial. Na modernidade, a vida e a saúde do trabalhador passam a ser tornar prioridade do poder soberano “Por milênios, o homem permaneceu o que era para Aristóteles: um animal vivente e, além disso, capaz de existência política; o homem moderno é um animal em cuja política está em questão a sua vida de ser vivente” (FOUCAULT, 2005/134).
Agamben se baseia na teoria da “biopolítica” de Foucault para construir o que ele chama de “vida nua”, que é essencialmente a vida isenta de leis. Ela é uma exceção e, como o estado de sítio, pode estar por lei, fora da lei.
O estado de exceção pode ser definido como um regime em que, inicialmente, as medidas apresentadas estão ligadas a acontecimentos excepcionais, limitadas no tempo e no espaço. Porém, de acordo com Agamben, nos governos democráticos contemporâneos essas medidas emergenciais acabam tornando-se fixas e assim, o estado de exceção passa a funcionar como regra.
São exemplos desse funcionamento, as zonas de proteção em encontros de organismos internacionais, os pacotes econômicos, os limites e contradições das democracias modernas e as guerras preventivas. Originalmente, essas medidas foram criadas com um caráter provisório, mas, após certo período, elas acabam se tornando bases desses governos, passando a funcionar como leis fixas.
Em 2007, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, afirmou que o Estado norte-americano apelava para o uso de tortura em alguns prisioneiros de Guantánamo. Em um debate realizado pela NBC, o governo americano usou como argumento para efetuar tal prática que, do ponto de vista ético e legal, os prisioneiros são “aqueles que não foram atingidos pelas bombas”, uma vez que eles eram alvos dos bombardeios e que só não foram atingidos por “azar”. Dado que esses bombardeios faziam partes de uma operação militar legítima, os presos em combate não poderiam reclamar de como estavam sendo tratados, pois qualquer situação era melhor e menos grave do que se eles estivessem mortos.
A situação em que se encontram os prisioneiros de Guantánamo é semelhante a do homo sacer, a vida nua. Slavoj Zizek, sociólogo, filósofo e teórico crítico esloveno, apresenta a contraposição da situação dos criminosos como homo sacer e das autoridades: " coloca o preso, quase de forma literal, na posição de morto vivo, aqueles que já estão mortos, em certo sentido, e que são, portanto, exemplos do (...) homo sacer, aquele homem que se pode matar impunemente porque, diante da lei, sua vida já não conta. Se os presos de Guantánamo estão no espaço "entre as duas mortes", ocupando a posição de homo sacer, legalmente mortos, as autoridades norte-americanas que lhes dão este tipo de tratamento se encontram assim mesmo numa situação legal intermediária, a contrapartida ao homo sacer: atuam como um poder legal, mas seus atos já não estão cobertos nem limitados pela lei, operam num espaço vazio sustentado pela lei, mas não regulado por ela"
Esse “espaço vazio sustentado pela lei” no qual o filósofo se refere é justamente o estado de exceção que se tornou regra. Os prisioneiros de Guantánamo vivem as margens da legalidade. Agamben, com o termo homo sacer, identifica o ser humano no limite do animal, cuja morte não tem epitáfio e vida é descartável, não possui valor. O termo vida nua ele designa para o estado de “morto-vivo” identificado por Slavoj Zizek, próprio a esses humanos: os árabes prisioneiros de guerra torturados em Guantánamo assim como os palestinos mortos e as vítimas da apartheid na África do sul.
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